Como crescer no Spotify sem atalho
Redação Acelera Social
Crescer no Spotify é abrir uma de duas portas: entrar em playlist ou trazer ouvinte de fora. Não existe uma terceira.
Ali você não é descoberto por rolagem. A descoberta é intermediada: ou alguém coloca a sua faixa numa playlist (a editorial, a que o Spotify monta sozinho e a de um ouvinte comum contam, e entram por caminhos diferentes), ou a pessoa chega com o seu nome já na cabeça, vindo de outro lugar.
As duas portas são gratuitas. O que elas cobram é antecedência — e é exatamente aí que quase todo lançamento independente perde.
Antes do lançamento: a janela que não volta
É a etapa com mais coisa de graça e a mais desperdiçada.
Perfil pronto antes de a faixa sair. Quem chega pelo link decide em segundos se aquilo é um artista ou um arquivo solto. O que dá para preencher, e o que fica vazio se você não pedir, está em página de artista no Spotify: o que preencher.
Faixa entregue à distribuidora com folga. Não é frescura de organização. O pitch para as playlists editoriais só existe enquanto a faixa está inédita e exige que ela já esteja no sistema. Entregar na véspera não atrasa o lançamento: apaga o pitch.
Pitch enviado. É o único canal em que você fala direto com quem monta playlist editorial, é gratuito e vale uma vez por faixa. Como preencher está em como enviar sua música para playlist do Spotify.
No dia: um destino, não cinco
Você tem um dia de atenção concentrada, e a tentação é gastá-lo mandando cada pessoa para um lugar diferente. Escolha um destino e repita esse mesmo destino em tudo.
O que costuma não pagar o esforço:
- Print da capa com "saiu". Uma imagem não dá motivo nenhum para alguém parar. Um trecho da música dá.
- Pedir play para gente que não ouve o seu gênero. Play que sai em cinco segundos ensina a coisa errada sobre a faixa.
- Combinar de deixar tocando em loop. Deixou de ser divulgação e passou a ser streaming artificial pelas regras do próprio Spotify, que é assunto de outra página.
- Cobrar resultado no primeiro dia. Os números do painel não são instantâneos, e ninguém decide nada olhando as primeiras horas.
Nas semanas seguintes: o lançamento não era o trabalho
Ter para onde levar quem gostou. O ouvinte que terminou a faixa e gostou faz uma coisa previsível: procura o resto. Se o resto não existe, ele sai, e o play não virou nada. Catálogo é o que transforma um play num ouvinte que volta.
Sua própria playlist. É o único espaço dentro do Spotify que você controla de ponta a ponta. Serve para colocar a sua faixa ao lado de artistas vizinhos e para dar um lugar a quem quer mais e ainda não tem catálogo seu para ouvir.
Presença onde as pessoas descobrem música. Como o Spotify não descobre por você, a descoberta acontece em vídeo curto, em rádio, em show, em grupo de nicho. O caminho da atenção do vídeo até o play está em como levar quem te ouviu no vídeo curto para o Spotify.
O erro comum de cada etapa
| etapa | erro | o que ele custa |
|---|---|---|
| antes | entregar a faixa na última hora | perde o pitch daquela faixa, e não há segunda chance |
| antes | perfil vazio no dia do lançamento | quem chega pelo link não tem por que ficar |
| no dia | mandar gente para cinco lugares | dilui o único dia de atenção concentrada que você tinha |
| no dia | pedir volume em vez de público | play que sai em segundos não sustenta nada depois |
| depois | tratar o lançamento como linha de chegada | quem gostou não encontra mais nada seu |
| depois | trocar de estratégia toda semana | nada fica de pé tempo suficiente para você saber se funcionava |
Como saber se andou
O pico do dia do lançamento não responde nada. Ele mede quantas pessoas você avisou, e esse número você já sabia antes.
O que responde é o que sobra depois que você para de empurrar:
- Alguém voltou? Ouvinte que ouve de novo sem ser lembrado é o único sinal que se sustenta sozinho.
- De onde veio o play? A fonte separa o que a sua divulgação trouxe do que o Spotify entregou por conta.
- A faixa termina? Quem sai no começo não vira nada, e isso aparece antes de aparecer no total.
Cada número do painel tem um significado próprio e é fácil ler o errado. O que cada um mostra está em Spotify for Artists: o que cada número mostra.
Um limite honesto: não existe número de referência que sirva para todo mundo. Ritmo de crescimento em gênero de nicho não se parece com ritmo em gênero de rádio, e comparar o seu primeiro lançamento com o de quem tem cinco anos de catálogo não informa nada. A comparação que serve é com o seu lançamento anterior.
Quando o número parado é o problema
Há um caso em que o trabalho está feito e a página ainda joga contra você: perfil com o contador quase zerado. Quem chega pelo seu link vê aquilo antes de ouvir qualquer coisa, e não há como medir "artista bom" na tela de um perfil — o contador é a única pista visível ali.
É o que seguidores para Spotify resolvem: tirar o perfil da faixa em que ele parece abandonado. O que eles não fazem é ouvir a faixa, salvar, voltar no mês seguinte ou aprovar o seu pitch. As três etapas acima continuam sendo o trabalho, e nenhuma delas tem atalho.